27.09.07
Projetos
A disciplina ‘Projetos’ nas Fases 5 e 6: transformando o efêmero em concreto e o concreto em efêmero.
No Libertas, temos nas fases 5 e 6 uma disciplina específica de projetos. São duas horas por semana em que nos encontramos para vivenciar esse tema tão amplo e tão cheio de possibilidades.
Acreditamos no desejo como o alicerce mais fundamental para qualquer projeto. Quando desejamos algo, logo nos lançamos a projetar mentalmente os caminhos que poderão nos conduzir ao que queremos. O desejo de saber ou de fazer algo nos impulsiona para realizações sinceras, mas não basta desejar, para concretizar é preciso se envolver de corpo e alma no projeto, ter clareza do que se quer, traçar metas, prever dificuldades, procurar ajuda, fazer escolhas e superar frustrações. Envolver-se em um projeto é enfrentar concretamente todas as necessidades que o próprio projeto coloca.
Não estudamos uma metodologia pura, descolada da própria realização dos projetos que desejamos concretizar. Acreditamos que a essência do método está nos caminhos que percorremos. Não aprendemos a caminhar só olhando as montanhas de longe, é preciso enfrentar as dores da subida, descobrir trilhas alternativas, sentir o cheiro das árvores e nos entregarmos ao prazer da brisa que bate lá no alto. Por isso, não ensinamos a fazer projetos dando fórmulas prontas, temas totalmente fechados e esquemas pré-estabelecidos. Na sua concretude, enfrentando a solitude das etapas individuais e os conflitos dos passos coletivos, experimentamos e exploramos diferentes estruturas de elaboração e concretização de projetos: projetos acadêmicos, projetos de mudanças, projetos de viagens, projetos para a vida inteira ou projetos para daqui a pouco. Com consciência, vamos aprendemos com os próprios projetos tudo o que eles têm a nos ensinar. Acreditamos assim contribuir para que nossos alunos sejam capazes de ir atrás de seus sonhos e desejos de uma maneira adequada e consciente.
Um dos projetos que realizamos na fase 5, em 2006, é ilustrativo disso. A turma fez um levantamento inicial de projetos coletivos que desejavam realizar e, após uma votação, chegaram à idéia de um acampamento na escola. Os alunos foram donos absolutos de todo o processo. Demos toda a orientação e apoio que nos foram solicitados, mas a realização do acampamento dependia somente deles, do esforço e da dedicação do grupo
Para uma corrente do pensamento oriental, quanto mais disciplina (shakti) tivermos em qualquer processo de construção, melhor e mais profunda será a entrega, a contemplação e a experiência ao final (bhakti). O processo realmente não foi fácil. O que, a princípio, parecia simples e possível de ser realizado, logo se revelou como algo que exigia tempo, empenho, foco e concentração. Pensar nos objetivos e na importância dessa atividade, estabelecer cronograma, horários, regras e datas; escrever requerimentos, circulares e cartas de agradecimento; prever equipamentos, lanches e atividades: esforços que conduziram os alunos a uma experiência única de alegria e prazer. Um espaço que se transforma, uma escola que vira um pouco de casa e um pouco de mato. Armar barracas, cozinhar juntos e lanchar juntos, enfrentar o frio e a escuridão, tirar fotos, brincar, contar e cantar histórias. Acordar cedo com a consciência de que tudo está acabando e que novamente será preciso desejar, elaborar, trabalhar, realizar…

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