Libertas - Instituto Libertas de Educação e Cultura

27.09.07

Projeto Individual no Libertas: projetar-se no mundo da inteligência


Por Dina Magalhães,
professora da Fase 4

Um projeto individual é multidimensional. A primeira dimensão dele se desenha no momento em que os pais decidem ter um bebê. Um sujeito que, ao nascer, inexoravelmente, se candidata a protagonizar um projeto individual: viver sua própria vida.

As outras dimensões se desdobram, a partir de múltiplas e profusas interrogações que o bebê faz diante das primeiras experiências de aprendizagem.

O bebê se interroga sobre o seu corpo, as luzes, os cheiros, os sons, o frio, a fome, o sono, o calor, a ternura … Seu corpo ainda se confunde com o mundo, fusiona-se com o corpo da mãe. Mas, nos primórdios da inteligência, essas experiências são o seu primeiro projeto individual de aprendizagem. É sua a escolha. É sua a pergunta. É sua a demanda. Apenas sua, individual, intransferível, como uma carteira de identidade. Ter identidade, então, é ser diferente.

Para os humanos, ao longo da vida, interrogar, desejar, decidir é a essência do poder de aprender. Envolver-se por escolhas, transversalizar-se pelo que construiu de simbólico, de subjetivo, de mitos imaginários, tudo isso constitui pilares indispensáveis para a constituição de uma identidade. Uma identidade rigorosamente única, diferente da mãe, do pai, dos avós, dos primos, dos amigos, mesmo que o recém-vindo ao mundo seja flagrantemente identificado com uma dessas personagens fundamentais de sua vida. Sem identidade própria não há projeto. E, para complicar, em um único sujeito há múltiplas identidades.

Agora, em nosso Libertas, buscamos, em todas as atividades, acionar, no aprendente, o impulso primário da interrogação, do compreender em profundidade o que faz. Cada atividade recebe, enfim, um tratamento de projeto individual.

Avançamos também para formalizar Projetos individuais de pesquisa diante de perguntas pontuais que o aluno propõe para a professora.

Ele diz numa aula de Português: Por que Tiradentes foi condenado? O que significa um episódio ser comparado a Canudos? Como Shakespeare escreveu essas histórias complicadas? Por que há malária na Amazônia?

– Boa pergunta! – respondemos. Esse é um bom tema para um projeto individual. Que tal agendar e realizar a apresentação para a nossa turma dos resultados de suas buscas?

Uma vez por semana, há um tempo para, por livre escolha, o aluno apresentar para os colegas, com material visual, os resultados de suas pesquisas.

No cotidiano, para um determinado aluno com objetivos pedagógicos intencionalmente estabelecidos, propomos Projetos de Desenvolvimento Individuais – que são chamados de PDI. Para tais projetos, montamos atividades exclusivas, selecionadas para sanar dificuldades próprias do aluno, só para ele. Esse projeto é negociado com o aluno e, com um bom argumento, bem-fundamentado e, por que não, com alguma dose de persuasão – cujo poder de convencimento advém do necessário fenômeno da confiança mútua – pactuamos tanto um prazo quanto os critérios de qualificação para as atividades a serem executadas.

O melhor é que tudo isso se realiza num contexto social e cultural; no coletivo e com a rica convivência com os outros e suas idéias diferentes; simultaneamente, portanto, aos conflitos políticos próprios de todo e qualquer relacionamento.

Conscientizando-se e responsabilizando-se por suas necessidades de aprendizagem, identificando focos de interesse pessoais, o aluno projeta-se nas dimensões da inteligência e, simultaneamente, fortalece sua identidade e põe-se no mundo como sujeito de sua história.

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