Libertas - Instituto Libertas de Educação e Cultura

27.09.07

O Projeto Institucional do Libertas


Por Arminda Rosa Matta Machado,
coordenadora pedagógica do Instituto Libertas

Quando falamos de um projeto institucional, dizemos daquilo em que a instituição pretende tornar-se no futuro. Uma instituição de educação é, em grande parte, responsável pela formação dos seus alunos e, como conseqüência, pelo futuro das sociedades humanas. Portanto, a educação lida, essencialmente, com valores. Por isso, ao se instituir, uma escola deve procurar dar respostas para as seguintes perguntas: que tipo de homem pretende formar? Para que tipo de sociedade?Em 2004, quando começamos a criar o Instituto Libertas, procurando dar aos nossos sonhos contornos mais reais, afirmamos que essa escola teria como finalidade contribuir para que seus alunos aprendessem a:

  1. conhecer e pensar a Natureza, o Mundo, a Vida, enquanto partes de um todo que quase sempre escapa à nossa compreensão;
  2. conhecer e pensar sobre si mesmos enquanto membros da mesma espécie, que possui uma identidade cósmica, terrestre, física e humana, partilhando de um mesmo destino;
  3. compreender a importância e o uso das tecnologias, enquanto instrumentos essenciais ao conforto da espécie humana, sem que isso implique o uso indiscriminado dos recursos terrestres naturais e desde que sejam democraticamente colocados à disposição de todos.

Enquanto instituição cultural, o Instituto Libertas se proporia a privilegiar também a estética, incentivando as mais diferentes formas de manifestação cultural e da arte, visando ao desenvolvimento da sensibilidade e da criatividade, formas de suavização e de ligação dos seres humanos entre si, de contenção de um quotidiano endurecido, de ultrapassagem dos discursos que, muitas vezes, revestem e distorcem as comunicações e as relações humanas.

No entanto, um projeto não se concretiza num vazio. Como educar tendo esses valores como ideais, se vivemos hoje numa realidade concreta de violência em suas mais variadas manifestações, decorrente da desigualdade social, da desigualdade de oportunidades, da marginalização cultural, da inexistência de um ambiente realmente democrático? Essa é uma realidade que precisa ser transformada. Assim, o Instituto deveria tornar-se conhecido por um posicionamento marcante em defesa do pacifismo, da liberdade de pensamento, da comunicação e colaboração entre os homens, da justiça social e da eqüidade das oportunidades de desenvolvimento. A educação oferecida aos seus jovens alunos teria que ser, portanto, uma educação também inconformista, crítica, propositiva e transformadora.

Um projeto institucional é sempre ambicioso e coloca, no futuro, uma visão de sucesso e de realização plena daquilo que foi sonhado. Para alcançar esse futuro, a instituição se planeja, se replaneja, sempre buscando concretizar, em seus projetos pedagógicos e nas suas ações cotidianas, o futuro almejado. Assim, o projeto da instituição é algo que quase não sofre modificações, permanecendo como o farol que ilumina o dia-a-dia da escola. Já a sua gestão, seus modos de relacionamento e de comunicação com os demais, o currículo da escola, os projetos pedagógicos que desenvolve constituem as formas de operacionalização desses ideais institucionais. Essa operacionalização sofre mudanças, alterações, revisões em face da sua maior ou menor eficácia, tendo-se em vista as características presentes no momento de sua aplicação.

Neste número do nosso jornal, vocês, leitores, podem ter uma idéia dos projetos pedagógicos que temos desenvolvido com nossos alunos. Convido-os a fazer o exercício de tentar verificar como cada um deles pode contribuir para o alcance da educação que pretendemos. Nós fazemos sempre essa avaliação: será que nossa prática tem, realmente, contribuído para a concretização do projeto institucional? No momento em que escrevo este texto, em agosto de 2006, uma visão retrospectiva e crítica do que foi feito pelo Libertas em menos de dois anos de funcionamento deixa-nos bastante orgulhosos. Para nós, fica cada dia mais claro que nossos ideais vão se realimentando e se fortalecendo na medida em que nossa prática se afirma, numa dinâmica que vai adquirindo um ritmo próprio. É como se cada um de nós, que aqui trabalha, contribuísse com seu saber e com sua arte para a construção de um grande painel que se torna mais e mais interessante e belo, desdobrando-se em idéias instigantes que vão fazendo seus efeitos.

Porém, não podemos parar. Muita coisa ainda resta para ser feita no sentido de nos tornarmos a instituição pluralista e aberta que desejamos. Mas o aumento do número de matrículas e da procura pela nossa escola, por famílias vindas das mais diferentes partes da cidade, evidencia que não estamos sozinhos nos caminhos que escolhemos trilhar.

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