Tendo alcançado um momento de desenvolvimento em que seu pensamento perdeu a dureza anterior, tornando-se mais plástico e intercambiável, essa é a fase da alfabetização propriamente dita, da entrada da criança no mundo da escrita e da leitura, quando suas investigações, antes informais, passam a ser mais sistematizadas pela escola. Nesse momento, o maior desejo das crianças é saber ler e saber escrever.
As crianças dessa fase ampliam também sua vontade de saber sobre as coisas, animais e pessoas. Continuam curiosas em aprender, por exemplo, sobre os nomes, características, locais onde vivem os animais, sobre as estrelas e planetas, sobre os meios de transporte, sobre a pré-história. Mas se interessam também por aquilo que vêm na televisão, sobre os enredos das novelas, sobre as notícias. Expostas a esse veículo tão poderoso, elas tentam se apropriar daquilo que ouvem e vêm, com as ferramentas intelectuais e cognitivas que possuem.
Embora já tenham adquirido um pensamento reversível – o que significa ser capaz de realizar mental e simultaneamente duas ações opostas – as crianças dessa fase muitas vezes carecem da intermediação de adultos que as ajudem a compreender os fatos, uma vez que seu pensamento ainda não adquiriu a capacidade de articular e relativizar informações, assim como ainda não aprendeu a colocar-se no lugar do outro e ver as questões do ponto de vista desse outro.
Embora tenham crescido, é preciso lembrar que os sujeitos dessa fase continuam sendo crianças e assim sendo, precisam brincar. O brincar, agora, pode ser mais direcionado às questões pedagógicas, pois brincando a criança tem a oportunidade para perceber distâncias, noções de velocidade, duração, tempo, força, altura e fazer estimativas envolvendo todas essas grandezas. Por isso, a opção do uso de jogos para a construção de conceitos, principalmente matemáticos. Além desses aspectos, o jogo contribui sobremaneira para a descentração do eu – enxergar o outro e o espaço em que está inserido.
Canalizando o desejo de saber e a curiosidade das crianças, a boa escola incentiva que elas avancem em suas descobertas. Nessa fase, é importante que as crianças percebam que as leituras são muitas e variam conforme o tipo de texto e também de pessoa para pessoa. É importante solicitar que elas falem sobre seu entendimento dos textos lidos ou das notícias da televisão, de tal forma que uma multiplicidade de compreensões e interpretações surja na sala de aula, permitindo que percebam que não há uma única e “verdadeira” resposta para as questões colocadas.
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