Do ponto de vista do desenvolvimento, as crianças dessa fase estão construindo as habilidades motoras, tais como: andar e locomover-se; subir e descer escadas; passar por obstáculos; puxar e empurrar objetos; usar o velotrol. Começam também a balançar-se, escorregar, equilibrar-se, lavar-se, comer, direcionar-se para todo canto da casa, puxar gavetas, examinar objetos, sozinhas, sem o auxílio dos adultos. É o momento de livrar-se das fraldas, alcançando o controle dos esfíncteres. Uma grande conquista dessa etapa é o prazer de descobrir o mundo das palavras, seus significados e a articulação da linguagem com os adultos que a rodeiam. Tentam comunicar-se e para tanto observam esses adultos, imitam seus gestos e modos de expressão. O jogo imitativo é, portanto, seu melhor instrumento de aprendizagem. São crianças que se encantam com as pequenas estrofes das músicas e versos infantis, que adoram brincar de faz-de-conta e ouvir os contos de fadas. Gostam das tintas, do barro, dos restos de papel e raspas de madeira, da areia, da água e da massa de modelar. Sujam-se, besuntam-se, cobrem o corpo de barro. O contato sensorial com os objetos, pessoas e seres da natureza é fundamental, pois são imediatistas e bastante centradas em si mesmas, o que significa que só pensam sobre as coisas que vêm, tocam e sentem. Atentas, logo assimilam a rotina do seu dia-a-dia e a sua casa já não lhes oferece mais grandes desafios.
Nessa fase, a escola torna-se de fundamental importância, na medida em que insere a criança num outro universo, mais complexo, que vai exigir dela novas adaptações. Por isso, ela deve ser espaçosa, rica em estímulos, repleta de coleguinhas, brinquedos, jogos, atividades planejadas em torno de temas e assuntos que despertam o interesse e curiosidade da criança. O foco principal nesse momento deve ser o brincar. A brincadeira auxilia a criança a criar uma imagem a respeito de si mesma, manifestar gostos, desejos, dúvidas, mal-estar, aborrecimentos, etc. A escola deverá ser um local onde ela vai falar e ser ouvida, considerada em todas as suas possibilidades de interrogação, assimilação e compreensão do mundo, como um pequeno sujeito e não um local de treinamento e adestramento.
A entrada na escola é, ao mesmo tempo, desejada e temida. Fascinadas pelas possibilidades que antevêem, as crianças querem a escola. No entanto, têm também um certo receio da separação dos pais, um medo inconsciente de perdê-los. Por isso o choro na hora da chegada e a alegria na hora da saída. Ao longo do período, no entanto, logo se esquecem dos pais, para desfrutar o prazer de tudo o que a escola lhes oferece. A escola precisa ser acolhedora de modo que o prazer ali encontrado seja maior do que a dor da separação da família e do ambiente da casa, que lhe oferece segurança.
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